14 de março de 2013

Aviso de Partida



Por Nathally Amisse*

O que vou relatar aqui e verdadeiro, aconteceu comigo e perdi meu marido, diante do meu sofrimento não brincaria com isto!!

Conheci Roger, um francês de 52 anos, em 1998 no Brasil. Ele estava a trabalho pela GM (engenheiro mecânico). Digamos que nosso sentimento nasceu no mesmo dia em que nos conhecemos e foi numa rapidez absoluta que ficamos juntos. Por amor a ele decidi deixar o Brasil e segui-lo para  França. Ele era um homem bom e me tratava como uma princesa, nem mesmo podia ver eu chorar que já ficava nervoso sem saber o que fazer, nossa relação com o passar dos anos nada mudou, eramos colados um ao outro 24 hs por dia. Viajávamos com frequência ao Brasil nas suas férias, por causa da saudade de minha família, mas devido as suas inúmeras viagens a trabalho, deixamos de viajar 2 anos seguidos ao Brasil e me lembro bem como se fosse hoje... 2004. Eu tive um pesadelo horrível, foi quase real, sonhei que estávamos os dois no Brasil, na casa de minha mãe e que tudo estava normal, mas que pela manhã ao me acordar, ele havia me abandonado, comecei a chorar sem parar e tentava ligar para nossa casa na Franca sem nenhuma resposta, senti a dor da perda e neste momento como num passe de mágicas me apareceu um homem de cabelos brancos que eu desconhecia totalmente e sai do sufoco. Acordei, dei um pulo da cama, me sentei e dei graças a Deus que eu estava aqui na nossa casa e ele dormindo como um anjo do meu lado. Me abracei a ele e voltei a dormir tranquila, pois era nada mais que um simples pesadelo...

Em 2005, ele chega em casa sorridente com 2 passagens na mão, para o Brasil, me abraça e me entrega dizendo que só queria me ver feliz. As passagens estavam marcadas para dia 26.11.2005 e a surpresa maior era que ficaríamos no Brasil 6 meses, nosso retorno era para dia 26.05.2006 (época da copa do mundo). Estava feliz mesmo por reencontrar minha querida família e amigos que tinha deixado para trás.


Cerca de 15 dias antes do embarque, eu estava estranha, não queria viajar mais, ele me perguntou porque? Respondi que pressentia algo sinistro, que talvez fosse a casa que ficaria sozinha e poderia ser roubada, ele me abracou e me disse para não me preocupar que ele falaria com amigos para confiar a casa. Mais os dias chegavam para a partida, mais mal eu ficava, cheguei mesmo a dizer para ele um dia antes de partir, porque não cancelávamos a viagem e deixávamos para mais tarde. Ele me respondeu que isto era nervosismo do meu reencontro com a minha família e conseguiu me convencer a embarcar. Embarcamos no dia marcado com uma grossa tempestade de neve, nosso voo havia sido cancelado. Algumas horas mais tarde pegamos um outro voo que passaria pela Alemanha e de lá nós pegaríamos um avião da (extinta) Varig rumo ao Brasil.

Fora o cansaço tudo correu normal, chegamos bem, fomos acolhidos pela família e 3 meses após ele começou a sentir uma dor no ventre. O levei ao médico, eram pedras na vesícula. Como os médicos disseram que era perigoso ele viajar daquele jeito, começamos a telefonar para as companhias aéreas para ver se tinha lugares para trocar nossas passagens, porque ele não queria ser operado no Brasil. Devido a Copa do Mundo, todas as companhias estavam lotadas. Pedi auxílio a embaixada francesa sem muito sucesso. Então decidimos que ele faria a operação no Brasil mesmo, após isto foi o inferno, foi diagnosticado câncer no fígado e intestino, o coloquei nos melhores hospitais de Porto Alegre, mas ele me deixou... exatamente dia 26.05.2006, dia de nosso retorno à França!!

O repatriei para cá e, ao chegar em casa comecei a chorar como uma louca e me veio o tal sonho na cabeça  Exatamente, estávamos no Brasil, ele me deixou. Toquei o telefone para cá e ele não atendeu (nem podia estava morto) e o senhor grisalho que vi no sonho, encontrei dias depois numa gaveta, em foto aqui em casa, era seu papai falecido em 1990. Até hoje choro muito sem aceitar a maneira de nossa separação, mas é a vida e no entanto eu fui avisada que nós dois iriamos nos separar, mas não consegui decifrar a tempo a maneira da separação!!


Três dias antes do meu marido falecer, eu estava brigando como louca com o consulado Frances de São Paulo na tentativa de trazê-lo em vida de volta ao seu Pais de origem, pois eu havia prometido a ele no seu desespero de voltar para cá e no meu de estar perdendo ele aos poucos e vivendo aquela situação infernal. Não consegui muita coisa e terminei por encontrar ajuda na imprensa (Jornal Zero Hora) Após o escândalo ser declarado, não adiantava mais nada, pois ele já estava morto!! Muitas pessoas da minha família me apoiaram mesmo devido ao meu cansaço de ter ficado 24 hs com ele, três meses nos hospitais, passei mal no ultimo hospital após receber a notícia de seu falecimento e fiquei totalmente perdida...

Entrei em contato com uma funerária e estava decidido, custasse o que custasse, eu o traria de volta para cá, mesmo se tivesse que ser a nado. Mandei preparar ele e os papeis para o repatriamento e o consulado francês não teve opção senão me dar a autorização para trazer ele de volta (Houve gente que foi demitida do consulado devido a este caso).

Ele faleceu as 21 hs do dia 26.05.2006 e só consegui liberar tudo para a viagem no dia 14.06.2006. Como tínhamos as passagens de volta para a França, eu liguei para a companhia aérea de nossas passagens (Lufthansa), mas naquele voo, não tinha lugar para o seu caixão, então me propuseram de eu embarcar e um dia depois dele (Motivo:copa do mundo). Eu finquei os pés no chão e disse que não me separaria dele por nada deste mundo, mesmo perdendo as passagens, e como uma louca comecei a telefonar para todas as companhias aéreas existentes no mundo e a extinta VARIG sabia do caso pelo jornal e conseguiu um lugar para mim no mesmo voo com ele (aliás com muita dificuldade) pois todos os voos estavam mais que lotados.

Embarquei no dia 14 de junho as 15 hs da tarde junto com ele dentro do caixão, estava desesperada e me sentia a pior das criaturas, me perguntava porque havia acontecido tudo isto comigo e desta forma tão cruel, mas não obtinha respostas... Peguei o primeiro avião de Porto Alegre até Guarulhos-SP e curiosamente o avião lotou mas a poltrona do meu lado permanecia vazia, não liguei muito, pois pensei que alguém houvesse perdido o voo. Me doía de ver a poltrona vazia quando na vinda eu estava com ele do meu lado, na viagem para o Brasil. Cheguei a São Paulo, o segundo voo estava com problemas e avisaram que ele só sairia 01:00 hs da madrugada, fiquei o tempo todo sentada e pensativa, mas sabendo que ele estava sempre no mesmo voo comigo, pois eu ia nos guichés verificar.

Logo que embarquei para o segundo voo, exatamente a 01 da madrugada, vi centenas de pessoas subirem no avião e pegarem seus lugares e curiosamente a poltrona do meu lado continuava vaga, esperei todos subirem e nenhuma pessoa se sentou do meu lado e o avião super lotado... Comecei a achar estranho e quando o piloto anunciou a decolagem, perguntei a aeromoça porque a poltrona estava vazia se o avião estava completo, ela me respondeu que não sabia, possivelmente alguém havia perdido o voo!! Então me perguntei como era possível eu lutar quase 20 dias para conseguir uma vaga no avião, alias, nos dois, e a poltrona estar vaga nos dois voos e justamente  do  meu lado?? Fiquei, confesso aterrorizada pois pensava que o destino estava sendo cruel demais para mim.

Viajei 12 hs chorando neste avião, e ao chegar em casa, como já declarei no outro relato pensei no pesadelo, pensei nas coisas anormais que aconteciam nesta casa, mesmo quando ele estava vivo e presenciava junto comigo e incrivelmente me veio a calma, não levei medo de estar sozinha, pois sabia que nosso amor era assim intenso e que ele de onde estivesse me protegeria, jamais me faria mal.

Entrei em depressão, fui assistida por um médico, emagreci 10 quilos e estava realmente fora de mim, até o dia em que após chorar muito, mas muito mesmo, terminei adormecendo. Não sei explicar, mas estava com a TV ligada e via a imagem dela, mas não podia me mexer, estava como que paralisada e escutei passos, alguém caminhava a minha volta. Reconheci, era ele, sua maneira de caminhar e escutei sua respiração, pois ele tinha um jeitinho especial de respirar, tentei me erguer para vê-lo, mas não conseguia, era como se meus membros estivessem todos paralisados, e ao dar o salto do sofá olhei para todos os cantos da casa e nada vi, na noite seguinte (igualmente) não sei se foi sonho, ele me apareceu, pegou na minha mão, e eu perguntei se faltava muito para eu morrer, ele me respondeu que não podia me dizer nada, perguntei se aonde ele estava era bom, ele me disse que sim, mas que estava ali por causa de minha dor, então eu perguntei se era um sonho aquilo, ele me disse que não, que eu não estava sonhando e que eu receberia uma prova para não pensar que estava louca...

Acordei?? Não sei dizer, não o vi mais e a prova eu a encontrei hoje, na foto que coloquei neste site, que havia tirado sozinha e saiu uma imagem de alguém, pois bem, abrindo o filme de fotos tirados no Brasil (após muita coragem) pois eu o havia chaveado (últimas fotos dele), ele que esta atrás de mim. Enviei uma foto dele para este site e vocês viram que não estou louca, que o sobrenatural existe e que não perdemos nossos entes queridos, apenas nos separamos dos corpos, porque os espíritos estão e estarão sempre junto de nos para nos proteger!!

Agradeço a todos pela atenção!!

Última fotografia de meu marido vivo. Reparem na semelhança com a imagem que aparece na foto que tirei sozinha.

Repare o círculo vermelho

Zoom da imagem que aparece
* Sou Brasileira e moro na França desde 1998. Viúva,  perdi meu marido em maio de 2006. Tenho muitas saudades do nosso Brasil!!

Fonte: Sobrenatural.Org

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