9 de fevereiro de 2013

SUPERNATURAL: Uma das Melhores Séries de Terror (e que já deveria ter terminado).

Olá, pessoal. Quem me conhecesse sabe que sou fã de carteirinha da série Supernatural, a série de terror que gira em torno dos irmãos Dean (Jensen Ackles) e Sam Winchester (Jared Padalecki ).

Segundo um post super legal que encontrei na Wikipedia, “Antes de levar Supernatural para a televisão, o criador Eric Kripke tinha desenvolvido a série durante quase dez anos visto que é fascinado por lendas urbanas desde criança.  Apesar de ter pensado em Sobrenatural como um filme, passou anos tentando vender, sem sucesso, a ideia num formato de série . O conceito passou por várias fases antes de se tornar o produto atual e mudou de uma antologia para um grupo de jornalistas que viajava pelo país numa caminhonete “lutando contra demônios e em busca da verdade. Eric Kripke queria fazer uma série com uma road trip por achar que essa era “a melhor forma de contar as histórias visto que é algo puro, nu e incomparavelmente americano… Estas histórias existem em pequenas cidades por todo o país e faz muito mais sentido chegar e ir embora destas histórias”.


Devido ao fato de já ter trabalhado anteriormente com a WB , Kripke teve a oportunidade de propor Sobrenatural. Porém, o canal não gostou da sua ideia dos jornalistas, mas Kripke conseguiu fazer com que aprovassem uma ideia de última da hora, de que os personagens principais fossem irmãos.

Quanto ao nome que daria aos protagonistas, Kripke decidiu que estes se chamariam “Sal” e “Dean” como homenagem ao romance de Jack Kerouac, On the Road. Contudo, achou que “Sal” não era o melhor nome para a personagem principal e mudou-o para “Sam”. Originalmente, o último nome dos irmãos seria “Harrison” para fazer referência ao ator Harrison Ford, visto que Kripke queria que Dean tivesse “a presunção ousada e imprudente de Han Solo“. Porém, havia um Sam Harrison no Kansas, e o nome teve de ser mudado por razões legais.

Para combinar o seu interesse na Winchester Mystery House e o seu desejo de dar um aspeto de “Western moderno” à série, Kripke deu-lhes o sobrenome de “Winchester”. Contudo, também isto criou um problema. O nome original do pai de Sam e Dean era “Jack” e também havia um Jack Winchester no Kansas, o que forçou Kripke a mudar o nome do personagem para “John”.

"Dizemos que é um Western americano moderno – dois pistoleiros que chegam à cidade, lutam contra os maus, beijam a moça e vão-se embora com o pôr-do-sol. E sempre dissemos, desde o princípio que, se íamos ter cowboys, tínhamos de lhes dar um cavalo confiável."
 — Eric Kripke sobre a decisão de incluir o Impala.

Quando era mais jovem, Kripke gostava de ver séries em que o carro era um símbolo da mesma, como é o caso de The Dukes of Hazzard e Knight Rider. Isto levou-o a incluir um em Sobrenatural.

Originalmente queria que o carro fosse um Mustang de 65, mas o seu vizinho convenceu-o a muda-lo para um Impala de 67, visto que “dá para pôr um corpo no bagageiro” e porque “queria um carro que, quando para num sinal, faça as pessoas trancarem as portas”. Kripke disse, “É o Rottweiler dos carros e penso que isso dá mais autenticidade para os fãs de carros porque não é um carro bonito. É um carro agressivo, musculoso e penso que é a isso que as pessoas reagem e porque se encaixa tão bem no tom do nosso programa”.

Kripke já tinha apresentado a série ao produtor executivo da Fox, Peter Johnson e quando Johnson passou a ser presidente da televisão da Wonderland Sound and Vision, entrou em contacto com Kripke. Pouco depois, Johnson envolveu-se no programa como co-produtor executivo, assim como o dono da Wonderland, McG como produtor executivo e a empresa de produção comprometeu-se a fazer o episódio piloto. Porém, antes deste ser filmado, alguns problemas com o roteiro precisavam de ser resolvidos. Originalmente, os irmãos não era criados pelo pai, mas sim pelos seus tios. Assim, quando Dean pedia a ajuda de Sam no episódio piloto, tinha de o convencer de que o sobrenatural existia. Contudo, Kripke apercebeu-se de que isto tornava a história passada demasiado complicada razão pela qual o reescreveu com Peter Johnson de forma que o pai de Sam e Dean os tivesse criado para serem caçadores.

O roteiro passou por várias revisões. Uma das ideias originais era a de a namorada de Sam ser um demonio, o que o levaria a juntar-se a Dean na sua viagem; contudo, Kripke achava que era mais apropriado que a motivação de Sam fosse a morte de Jessica, por isso decidiu mata-la da mesma forma que matou a mãe deles.  As filmagens do episódio piloto receberam luz verde após o realizador David Nutter, que já tinha trabalhado com Kripke em Tarzan, se ter juntado ao projeto. Quando o canal comprou a série completa, o estúdio contratou Robert Singer para produtor executivo uma vez que queriam que Kripke trabalhasse com alguém com experiência. O co-produtor executivo, John Shiban também foi contratado para a ajudar a desenvolver a mitologia da série devido ao seu trabalho em Arquivo X.

Kripke tinha um plano da mitologia para três temporadas, mas mais tarde expandiu-o para cinco e esperava terminar a série em alta.”

Acompanhei as primeiras 5 temporadas nas quais vimos diversas reviravoltas, mortes e ressurreições, idas e vindas ao inferno, monstros dos mais variados tipos e, no final, até um complô de anjos. Elementos mais que suficientes para que está série fosse uma das coisas mais bizarras e rídiculas da TV, digno de um Scooby-doo.

Entretanto, o que vimos foi uma série extremamente bem planejada e conduzida, apoiada em um plot familiar complexo e atual. Além de caracterizações de lendas, mitos, monstros e demônios sem cair no óbvio ou no pastelão. Através de uma viagem pelos EUA (tá certo que tudo acontece lá), os irmãos Winchester encontram toda a sorte de coisas tenebrosas (algumas engraçadas outras de meter medo), desde um simples (?) lobisomem, até o próprio Satanás!!

Hah, mas engana-se quem pensa que está série fala de demônios e anjos somente ou sobre o fim do mundo. Não, ela  fala sobre a relação de dois irmãos que cresceram sem a mãe e com um pai militarmente severo e obsecado por vingança, buscando o mesmo que todo mundo: um sentido a sua existência.

Este modo de encarar a série faz com que ela tenha sentido em sua totalidade (as primeiras 5 temporadas) e tendo seu apíce na quinta e última temporada, no qual o drama do juízo final resume-se ao conflito de dois irmãos (Lúcifer e Miguel) sem mãe e filhos de uma pai severo e ausente (Deus??) e que encontra perfeita sintonia no drama dos Winchester. Algo como uma alegoria divida e irônica da vida mortal, mas que não deixa a série piegas ou chata.

O episódio de fechamento da quinta temporada, iniciado a partir da história do carro, um dos principais coadjuvantes da série, está, na minha opinião, entre os melhores episódios de série que vi até hoje.

Contudo, como nem tudo são flores, os executivos da Warner, excitados pelo sucesso, resolveram fazer uma sexta-temporada…

Vejam bem, a quinta temporada fecha com Sam indo para o inferno, levando junto Lúcifer, e Dean abandonando as caçadas e indo viver com Lisa – isso se você interromper faltando 3 minutos para o final.

A pedido (ou ordem?) da Warner, Eric Kripke alterou alguns “detalhes” do roteiro da quinta temporada como forma de criar ganchos para a continuação, saindo do projeto logo após o término de sua história inicial.

Na sexta temporada, veio uma nova equipe (e sem Eric que passou a produtor executivo, ou seja, não cria nada), passou-se um ano e Sam está de volta do inferno (ninguém sabe como), junto com o avô e alguns parentes desconhecidos, todos mortos. Eles continuam caçando e acabam convencendo o desconfiado Dean a juntar-se a eles. No terceiro episódio, Castiel retorna também denunciando uma conspiração angelical (isso mesmo que você leu) liderada por Rafael para… adivinhem só: trazer o fim do mundo, o Apocalipse. Assim, resta aos dois irmãos resolverem a situação e, no meio tempo, caçar diversas assombrações. Entre um monstro e outro, Sam recupera sua alma, ainda presa no inferno, e Castiel é promovido a Deus, o mote da sétima temporada.

A premissa não é exatamente nova e a série nunca se destacou pela originalidade (quem conhece histórias de monstros, vampiros, demônios e anjos está careca de ver essas conspirações biblicas) mas o fato que, após assistir os primeiros episódios da sexta temporada, tive a nítida impressão que algo fundamental parecia ter ser perdido: a química entre os irmãos Winchester, o plot familiar que sempre marcou a série.

Após cinco temporadas, tendo se passado um ano de uma temporada a outra, os personagens parecem não ter mudado em nada. Dean continua infeliz, desconfiado, depresivo e sarcástico, enquanto Sam continua impulsivo e ambíguo. Temos as mesmas discussões e as mesmas incertezas marcam os personagens, de modo que soem caricatas e forçadas após tanto repertir-se. Um ano como pai de família, como um cidadão comum não mudaram em nada Dean? Nem o modo de se vestir? E Sam? E Bobby (Jim Beaver), com o mesmo boné, a mesma jaqueta sem mangas e a mesma barba grisalha?

Os problemas que parecem surgir na sexta temporada de Supernatural é um clássico caso de roteiristas que assumem um projeto já estabelecido e que não entendem a dinâmica, o conceito criativo dos personagens e da série em sua macro estrutura. Pegam o perfil inicial do personagem e  repetem em histórias e mais histórias, desconsiderando que os personagens, como qualquer ser humano, podem mudar (em hábitos, convicções, jeitos, etc).

É a mesma sindrôme que afeta as HQs americanas cujos personagens pouco evoluem e ficam presos sempre aos mesmo conflitos, em histórias repetitivas e cansativas.

Pegar um personagem clássico e revitaliza-lo, remodela-lo ou simplesmente criar uma no epopéia para ele é um tarefa delicada, algo que pede que se comece do zero no processo criativo, pensando na idéia, na trama e, principalmente no personagem. A sexta temporada pega os irmãos após um ano do quase Apocalipse, no qual um virou um senhor de família e outro voltou do Inferno (levando o próprio capeta). Não dá para simplesmente pegar as velhas jaquetas, as velhas armas, o diário e emblemático Chevrolet Impala 1957 e voltar ao modelo inicial, o que se justifica quase sempre como “pegamos aquilo que os fãs gostam”.

Me chamem de chato ou ranzinza, mas acho que agora o fim do mundo finalmente leva os irmãos. Da minha parte, não estou com vontade de ver para não tirar a ótima impressão que tive das primeiras temporadas.

Abraços


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