22 de fevereiro de 2013

O Cramulhão



Por Roberto G.

Na cidade onde minha mãe nasceu em Conceição do Tocantins - TO, reza um fato ocorrido a tempos atrás com um rapaz que tinha muita vontade de ser rico e acabou fazendo um certo ritual e formalizar um pacto com o Diabo.

Havia na cidade um coronel muito poderoso, que tinha grandes fazendas e muito dinheiro. Dizem que ele criava um cramulhão dentro de um recipiente guardado a sete chaves e todo seu patrimônio adquirido teria sido por conta dessa união.

Sabendo da história, esse indivíduo então buscou informações de pessoas próximas de como ele poderia fazer o mesmo e conseguir riquezas.

Cramulhão da novela Paraiso exibida no Globo em 2009
Disseram-lhe que deveria chocar um ovo de galinha preta durante 15 dias embaixo do braço (axila) e fazer um ritual diário com alguma invocações (onde muitos dizem que teria sido no livro de São Cipriano) até o tal dia marcado.

Um certo dia o pobre homem estava sentado debaixo de um famoso pé de jatobá (fica próximo ao cemitério da cidade que impressiona até hoje pelo tamanho), cansado pela noites mal dormidas tentando atingir o objetivo de seu pacto, quando acabou cochilando. O ovo caiu e se quebrou, e daí para frente o pior aconteceu. Começou uma ventania repentina que fez com que a cidade inteira se assustasse, e no local um redemoinho começou a formar de forma assustadora, e espalhava seres estranhos como porcos com pés de galinha, galinha com cabeça de gato. Enfim, até dissipar-se, quando formou uma criatura tosca, deformada, impossível de se descrever. Assustado, o rapaz se impressionou com a forma da boca da criatura, que tinha formato vertical e gesticulou com a mão dizendo: "Crê em Deus pai... A boca desse bicho ao invés de ser assim (---) é assim (|)". Com esse movimento, sem saber, o indivíduo fez o sinal da cruz, que fez que com uma grande explosão acontecesse, desaparecendo com a criatura e ficando apenas um forte cheiro de enxofre no ar.

O tal coronel faleceu a pouco tempo. Dizem que o cramunhão pediu em troca um parente próximo (filho, esposa, neto), mas o velho acabou entregando a própria alma.

O tal rapaz, era visto andando nas ruas mulambento, e sempre machucado. Muitos dizem tê-lo visto várias vezes rolando no chão como se estivesse brigando com alguém, saía sangrando e com marcas de chicote nas costas e peito.

Dizem que sempre o demônio lhe aparecia e castigava-o ainda vivo.
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