14 de fevereiro de 2013

A Lenda de Niccolò Paganini


Niccolò Paganini nasceu em 27 de outubro de 1782 em Gênova, foi um revolucionário violinista e compositor italiano e tornou-se um dos pilares da moderna técnica de violino.

Paganini não teve uma infância fácil, além de seu pai Antônio Paganini criar seu filho com mãos de ferro e aplicando crueldade ao persistir com Niccolò nas tarefas musicais e castigando-o severamente a cada engano, o menino teve um forte ataque de sarampo que o deixou muito doente, tanto que chegou a ser dado como morto, foi embrulhado em uma mortalha e quase enterrado prematuramente. Acontece que essa doença deixou Paganini doentio pelo resto da vida...

Como era um músico brilhante desde cedo, alcançou grande sucesso muito jovem, mas com o sucesso veio uma vida desregrada e de abusos. Paganini, com apenas 16 anos, chegou a perder tanto dinheiro que precisou por diversas vezes deixar o próprio violino penhorado para poder pagar suas dívidas no jogo. Mas conseguiu se livrar do vício e nunca mais chegou perto de uma mesa de jogo.

Niccolò Paganini tocava brilhantemente! Encantava até os mais experientes músicos e compositores com seu estilo virtuoso. Chegava a ser fora do comum! É aí que chegamos à lenda...




Paganini era capaz de tocar à espetacular velocidade de doze notas por segundo! Esse é o tempo que a maior parte dos músicos leva para ler doze notas. Ele também inovou com suas técnicas de memorização; antes dele, todos os violinistas tocavam acompanhados do programa a ser tocado - Paganini, por sua vez, costumava simplesmente subir ao palco com seu instrumento, sacudir seu longo cabelo e pôr-se a tocar. Todo o programa já havia sido memorizado.

Uma das representações de Niccolò
Paganini.

Aqui o Capricho nº 24 de Paganini, um dos mais conhecidos.



Com todo seu talento extraordinário, o virtuose se tornou lenda! Associada à incrível velocidade que ele alcançava em suas músicas estava sua aparência cadavérica, que causava terror nas pessoas que tinham medo de assistir suas apresentações. Segundo descrição de Castil-Blaze em 1831, Paganini tinha 1,65m de altura, era muito magro, tanto que se asemelhava a linhas longas e sinuosas, de face muito pálida e traços fortes, olhos de águia (escuros e penetrantes), nariz pontiagudo, longos cabelos ondulados que iam até o ombro e um pescoço muito magro... Pudera! Ele viveu a vida toda lutando contra uma enfermidade severa que lhe exigia uma dieta rigorosa e muitas horas de sono. Na época, porém, muitos acreditaram que Paganini tinha vendido a alma ao Diabo em troca de sua perfeição musical.

Houve uma apresentação na Bélgica em que ele foi vaiado. Só mais tarde é que foi descobrir que a causa das vaias foi a lenda sobre sua sociedade demoníaca.

O próprio Paganini conta em uma carta que certa vez, ao tocar as variações intituladas 'le Streghe' (as Bruxas), um indivíduo afirmou que não viu nada de surpreendente em seu desempenho, pois tinha distintamente visto, enquanto Paganini tocava suas variações, o diabo a seu cotovelo, dirigindo seu braço e guiando seu arco, descreveu ainda que o dito cujo vestia vermelho, possuía chifres na cabeça e tinha o rabo entre as pernas. Diante disso, muitos concluíram que aquele indivíduo havia descoberto o segredo dos maravilhosos feitos do violinista. Paganini, ainda na carta, parece compreender todas essas lendas, dizendo: "Minha semelhança para ele era uma prova de minha origem." Ou seja, sua aparência cadavérica provava que era mesmo filho do diabo. (Quase como na estória de O Fantasma da Ópera, não é?!)

A música 'le Streghe' de Paganini, interpretada por Eugene Fodor. 
"O bixo pega" a partir do minuto 4:50.

Paganini sendo guiado a tocar pelo diabo.
Portanto, a face pálida e longa com bochechas ocas (por ter perdido os dentes devido a uma doença), os lábios magros e um sorriso sarcástico, a expressão penetrante dos seus olhos que pareciam como carvões em chamas, lhe deram uma aparência diabólica que tentou muitos dos seus admiradores a circular o rumor de que ele era o filho de um diabo. As pessoas freqüentemente se benziam se fossem acidentalmente tocadas por ele. Uma vez, Paganini foi forçado a publicar cartas de sua mãe para provar que ele teve os pais humanos. De qualquer modo, ele despertou temor e terror onde quer que tocasse. Em Paris ele foi chamado Cagliostro; em Praga ele foi julgado por ser o judeu errante original; na Irlanda circulou o rumor que ele tinha chegado à essa terra  no Holandês Voador.

Paganini começou então a "encarnar" a lenda que virara, procurava sempre usar trajes negros e desalinhados para completar a desejada imagem. E suas apresentações realmente surpreendiam. Aos quarenta anos o violinista começou a viajar pela Europa, e suas excentricidades tornaram-se ainda maiores. Chegava aos concertos coberto por um longo manto negro, em uma carruagem puxada por quatro cavalos também negros - e, algumas vezes, demorava a entrar no palco, para depois de longos minutos surgir de súbito e uivar em direção ao público. Os cenários de suas apresentações eram sempre lúgubres e com pouca luz. Em Londres, freqüentemente as pessoas cutucavam Paganini com as bengalas para verificar se ele realmente era feito de carne e sangue.

Diziam que essa era a única fotografia tirada de Niccolò. Hoje, porém, dizem que ela é falsa.
Multidões pagavam preços exorbitantes para assistir as apresentações daquele músico magrelo e feioso. Comerciantes colocavam o nome do ídolo em produtos tão diversos como perfumes e botas. As turnês incluíam as cidades mais importantes da Europa, com destaque para Viena, Milão, Hamburgo, Paris e Londres, onde os lucros foram suficientemente grandes para que o artista ficasse milionário. Sem dúvida, o italiano Nicolò Paganini foi uma espécie de popstar musical do século passado. As apresentações de Paganini resumiam-se quase sempre a composições próprias, sons mágicos retirados do violino. O rosto esquálido contorcia-se, os cabelos negros cacheados agitavam-se, e o arco do violino fazia movimentos inalcançáveis para a maior parte dos músicos da época. Algumas vezes, pelo simples prazer de assombrar, Paganini sacava uma tesoura e cortava três cordas do violino, prosseguindo o concerto somente com uma, a corda sol (G).
Representação de Paganini ao tocar apenas uma corda, a sol.
Como músico, ele inovou e contestou o medíocre, como um autêntico rebelde. Inovou usando harmônicos, como também trazendo de volta a esquecida arte de scordatura, ou seja, afinações variadas, utilizadas no violino pela primeira vez. É possível dizer que Paganini era o Jimi Hendrix do violino, duzentos anos antes, tirando sons inimagináveis até então com aquele instrumento. Além disso, ele usava calças apertadas e cabelos bem compridos; deixava as mulheres desmaiando, loucas de tesão e os homens loucos de inveja. Mas acima de tudo, Paganini tocava seu instrumento com uma concepção anos-luz à frente dos seus contemporâneos.

Abaixo, várias representações de Noccolò Paganini:









As lendas em relação à Paganini não paravam de aumentar. Não bastasse dizer que fizera um pacto com o demônio para poder tocar daquela maneira, especulavam também que as cordas de seu violino seriam confeccionadas com os próprios cabelos do diabo. Outra história dizia que sua habilidade vinha de anos de prática na prisão, condenado pelo assassinato da amante (Paganini desmente que teria ficado preso por algum crime. Acontece que os olhos e as más línguas estavam obviamente voltados contra o "filho do diabo" do que qualquer outro pobre mortal). Nesta versão, as cordas do seu instrumento seriam feitas dos intestinos da infeliz vítima.

"Paganini na Prisão", de Louis Boulanger, 1831. Cortesia da Stanford University Libraries, fotografia de Michael Marrinan
Mais uma representação de Paganini no suposto tempo que passou na prisão.
Em 1840 Paganini caiu muito doente, e alguns dias antes de sua morte o Bispo de Nice foi chamado ao lado de sua cama, mas Paganini recusou vê-lo, insistindo que ele não estava agonizante, que ainda viveria muito mais tempo (acreditaria nisso devido ao suposto pacto de vida eterna com o diabo?). Mas ele morreu, e não houve tempo para os sacramentos finais. Devido à isso a igreja recusou lhe conceder um enterro em campo santo. Só depois de cinco anos da morte de Paganini seu filho, apelando diretamente ao Papa, teve permissão para enterrar o corpo do grande violinista na igreja da aldeia perto de Vila Gaiona.

Túmulo de Paganini
Vários historiadores afirmam que o corpo de Paganini foi várias vezes desenterrado, por causas que ninguém até hoje conseguiu descobrir...

Penso que se Niccolò Paganini vivesse nos dias de hoje ele seria guitarrista, seria Steve Vai ou até Alice Cooper  (em questão de estilo).

Se Paganini vivesse nos dias de hoje, com certeza ele seria Steve Vai.

Mas isso é assunto para outro post...

Fonte: 
História e Genealogia da Família Paganini
Wikipédia
O Blues, o Rock e o Diabo - Whiplash
Interconexão Ultra-terrestre

Matéria originalmente escrita em Mundo LazaFornaza



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