16 de janeiro de 2013

O Espírito da Árvore


Por Juliana L.

Aqueles dias que se seguiam já não estavam mais normais. Eu os conseguia ver em qualquer lugar que eu fosse. Espíritos sem luz que repetiam várias vezes a sua própria morte. Espíritos que andavam sempre do lado esquerdo das pessoas para poderem sentir a sensação da vida novamente. Por mais que eu tentasse entender sempre havia algo que eu não conseguia explicar, eles se aproximavam de mim às vezes chorando, se sentiam perdidos, outros já queriam manter algum vício de quando era vivo, fumar, beber... se prostituir.
Com o tempo fui aprendendo que se eu me mantiver bens esse espíritos sem luz não vão poder me ver. Vou contar o que aconteceu quando fui passar uns dias no sítio de minha tia.

Era verão e o Sol estava belo e radiante no alto do céu mostrando que já era meio dia. Desci do meu carro e fiquei admirando a paisagem, era tudo muito verde, árvores frondosas e uma casa simples, mas confortável. Minha vida passava por momentos difíceis e decidi me afastar da correria da cidade grande por uns dias. Combinei com meus pais de ir primeiro para aproveitar os dias quentes no pequeno riacho do lugar, respirei aquele ar puro e meu coração se alegrou. Peguei minha mochila e fui em direção a casa e senti o cheiro de comida caseira sendo preparada, minha tia estava cozinhando arroz e frango. Corri para abraçá-la e sorri...

- Tia, que saudade de você! Como estão as coisas?

- Está tudo bem, minha sobrinha favorita! Cansada da viagem?

- Não, pelo contrário, estou até animada por vir pra cá, amo essa natureza, acho que é o que preciso pra voltar a ser a mesma de antes!

- Que bom que pensa assim, que tal você dar um passeio por ai enquanto eu termino de fazer o almoço? Tem um pomar perto daqui!

- Humn ... Isso é uma ótima ideia tia, vou conhecer então esse pomar, volto logo!

Sai em direção ao pomar, deixei na sala a minha mochila e meu celular, não queria ser incomodada por ninguém, fui os poucos alcançando uma trilha pequena, meus pensamentos estavam longe dos meus problemas e finalmente podia relaxar. Sem perceber me desviei da trilha do pomar e continuei seguindo, não sabia o por que, mas aquele caminho estava me atraindo, sentia vontade de segui-lo e descobrir o que havia no final dele. Seguia calma e pensativa. A vegetação começou a ficar mais densa e me arrepiei parando diante de uma grande clareira. Em seu centro um grande jequitibá. Olhei admirada para aquela árvore gigante a minha frente, tinha uma copa toda fechada com as folhas dos mais variados tons de verde. Resolvi descansar embaixo daquela maravilha da natureza.

Sentei no chão coberto de folhas secas e encostei minha cabeça pra trás na árvore e respirei fundo descansando. Foram os minutos mais tranquilos que já passei. Era tudo tão belo e majestoso ali. Não queria sair, mas meu estomago roncou avisando a hora do almoço. Senti outro arrepio... Abri meus olhos e notei que tinha algo errado. O ar tinha se tornado mais frio. As árvores já não tinham mais aquela vida. Eram mais escuras e suas sombras se misturavam. Eu já sabia o que estava pra acontecer, depois de tudo o que tinha visto eu não sentia mais tanto medo. Resolvi voltar e me levantei. Comei a caminhar devagar até que ouvi passos atrás de mim. Senti a presença daquilo e me virei lentamente, o que vi era um homem. Seu semblante era tristonho. Seu rosto deformado do lado esquerdo. Exalava um odor de podridão. Usava uma roupa antiga com chapéu, camisa e calças com suspensório. Seus pés estavam descalços e notei e não tocavam o chão. Olhava-me fixamente e dei um passo pra trás sentindo meu corpo todo formigar, em meu pensamento ele disse com uma voz baixa e lenta: “Nunca mais se aproxime da minha árvore”.

Nesse instante olhei pra árvore e reparei que do outro lado, em meio as suas gigantes raízes havia uma pequena cruz velha de madeira deteriorada pelo tempo. Voltei meu olhar pra ele, mas não consegui mais vê-lo. Mesmo assim eu ainda sentia aquele cheiro. Ele continuava ali esperando que eu fosse embora. Não pensei duas vezes e voltei a andar me afastando dali sem olhar pra trás. Uma lágrima escorreu do meu olho, meu coração batia acelerado. Andei mais rápido até avistar a casa novamente. Parei ofegante em frente à porta e olhei pra minha tia. Entrei e me sentei. Nesse momento desabei chorando.

- Você o viu não é...

Olhei pra minha tia com meus olhos cheios de lágrimas.

- Quem é ele?

- Ele morava aqui antes de eu me mudar pra cá, dizem que ele se matou depois que a mulher o deixou, ele se enforcou...

- Na árvore...

Fonte: Sobrenatural.Org


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