16 de janeiro de 2013

Consultórios espirituais prometem curar doenças


Consultas espirituais na região de Rio Preto atraem uma média de 4,7 mil pessoas por mês com promessas de expulsão de encostos (espíritos do mal) e cura para doenças como câncer, paralisia e até aids. Para isso, os curandeiros burlam a lei e chegam a colocar em risco a saúde dos doentes - um deles está na mira da Vigilância Sanitária por exercício ilegal da medicina.

Dos três que apregoam curas milagrosas no noroeste paulista, dois cobram taxa, com o argumento de que o valor serve para custear os insumos usados. Em Votuporanga, Edelarzil Munhoz Cardoso, que diz extirpar tumores e o vírus da aids ao retirar sangue e objetos de montes de algodão, pede R$ 14 dos peregrinos, enquanto Milton Mariotti cobra R$ 10 de quem se dispõe a fazer um pequeno corte na orelha para sarar de problemas na coluna.


Somado, o faturamento bruto de ambos chega a R$ 47 mil por mês. João Gotardo, que diz incorporar o espírito de um médico alemão, não cobra dos pacientes. Mariotti, um afiador de tesouras e alicates de unha, começou com suas “cirurgias” há 34 anos. Na época, o irmão sofria de graves dores nas costas. “Um dia, amanheci com a ideia de fazer um corte na orelha dele”, diz. Em 30 dias, segundo ele, o irmão estava curado.


 João Gotardo faz cirurgias espirituais em Nhandeara; ele não cobra dos pacientes (Foto: Edvaldo Santos)

A notícia se espalhou rapidamente, e a casa de Mariotti, em Votuporanga, tornou-se um centro de peregrinação de doentes de todo o País e até do exterior. Por mês, cerca de 500 homens, mulheres e crianças são “operados” pelo afiador de tesouras. “Há dois meses, vieram dois homens do Marrocos. Depois soube por parentes no Brasil que tinham se curado.” No ano passado, a Vigilância Sanitária fez blitz e apreendeu os objetos utilizados pelo curandeiro. Mariotti foi proibido de fazer novos procedimentos.
“É exercício ilegal da medicina, o que é crime”, diz a diretora da Vigilância de Votuporanga, Nely Fernandes Droveto de Oliveira. “Esse senhor expõe as pessoas a risco de infecção, se o material que ele usa para os cortes não for bem esterilizado. Pode haver risco de transmissão de doenças infectocontagiosas, como aids e hepatite.” Apesar dos riscos, Mariotti permanece na ativa, clandestinamente.

No dia 17 deste mês, sem se identificar, a reportagem esteve na casa do afiador de tesouras. Quem atende é uma mulher. No fundo da residência, cinco idosos aguardam. Um deles, João, veio de Santo Anastácio, região de Presidente Prudente, trazer a mulher. “Tinha desvio na coluna e três bicos de papagaio. Nenhum médico me curava. Vim aqui faz três meses e hoje estou bom. ”

Após meia hora de espera, Mariotti chama todos para sua sala, que lembra um consultório médico - paredes brancas, mesa, cadeiras, sem símbolos religiosos. Ele pede para o repórter, que sofre de dores na coluna, sentar-se, e une os polegares com os braços esticados na horizontal e na vertical. Vem o diagnóstico: “Você tem duas protrusões, uma lombar e outra cervical. Vou fazer em uma orelha, e daqui 50 dias você volta para a gente fazer na outra”, diz ao repórter. Em seguida, passa álcool em gel nas mãos, e manda o paciente segurar um pedaço de gelo na orelha para adormecer a pele e aliviar a dor.

Enquanto isso, aquece um bisturi em um fogareiro e diz: “Eu creio em Deus, em Jesus e no sol”. Pede para respirar fundo e faz dois cortes na orelha direita, um deles profundo. Apesar da pele adormecida, a dor incomoda. O borracheiro Paulo Fabiano Pereira, 31 anos, de Guapiaçu, garante que os cortes na orelha o salvaram de um desvio crônico na coluna. “Fiquei dois anos de cama, tomei 36 injeções. Nada adiantava. Só o Milton conseguiu me curar, faz seis anos. Hoje carrego pneu, trabalho normalmente.”

Edelarzil Munhoz Cardoso diz extirpar tumores e o vírus da aids; ao lado, Milton Mariotti faz corta orelha para curar problemas na coluna (Foto: Jose Carlos Moreira)

Hassen Saidah, acupunturista da Famerp, diz que a orelha tem pontos de representação de todo o corpo humano. “Ao estimular esses pontos, as agulhas aliviam dores e curam doenças, o que é comprovado pela ciência. Mas cortar esses pontos pode anulá-los.”

Para o Conselho Regional de Medicina (Cremesp), só médicos podem fazer incisões na pele. “Isso é caso de polícia”, diz o presidente regional da entidade, Pedro Teixeira Neto. Segundo a Delegacia Seccional de Votuporanga, não há inquérito para apurar a atividade de Mariotti. Em tempo: as dores nas costas do repórter só pioraram do dia da visita até ontem. A elas, acrescentou-se o incômodo das feridas na orelha.

Afiador de tesouras admite ilegalidade 

O afiador de tesouras e alicates de unha Milton Mariotti admite a desobediência à determinação da Vigilância Sanitária para que parasse de fazer cortes em orelhas. “As pessoas aparecem com dor, fico com dó em não ajudar. Sei do risco, mas o meu coração pede para auxiliar esses doentes.” Após a blitz da Vigilância no ano passado, Mariotti disse que o filho dele, que é médico em Curitiba, procurou o Ministério da Saúde na tentativa de legalizar a atividade. Mas não conseguiu. “Disseram que seria impossível.”

O borracheiro Paulo Fabiano Pereira, de Guapiaçu, garante que os cortes na orelha o curaram de desvio crônico na coluna (Foto: Guilherme Baffi)

Mariotti garante curar todo e qualquer tipo de problema na coluna. “Só não sara quanto a doença é nos ossos”. Ele não quis detalhar como consegue a cura apenas com um corte na orelha. “Isso eu tenho aqui dentro de mim.”

O afiador nega qualquer risco de transmissão de doenças. “Para cada pessoa é uma lâmina diferente, que jogo fora.” Mas admite que pode haver problemas de cicatrização quando o paciente é diabético. “Aí irrita um pouco.” Por dia, ele afirma atender a média de 15 pessoas, exceto aos sábados, quando chega a 25.

Farmacêutico diz incorporar médico alemão

Todas as quartas e domingos o Centro Espírita Caminho da Paz, em Nhandeara, atrai centenas de pessoas em busca de cura para todo tipo de doença, de câncer a paralisia, passando por cegueira, dores na coluna, cólicas de rim.

Lá dentro, João Gotardo, 63 anos, diz incorporar o espírito de um médico alemão de nome grego morto em combate aos 37 anos durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942. Sem cortes ou perfurações na pele, Gotardo pratica a chamada cirurgia mediúnica.

Cenário onde ocorrem ‘cirurgias’ lembra o de um hospital: até 250 atendimentos aos domingos (Foto: Edvaldo Santos)

Farmacêutico, Gotardo recebeu pela primeira vez o espírito de Demetrius há 27 anos. “Era de madrugada quando ele me acordou. Disse o seu nome, e que começaríamos a partir daquele dia a curar as pessoas.” Gotardo começou a operar em casa, mas quatro anos depois fundou um centro espírita. No início, usava instrumentos cirúrgicos, como pinças, bisturis, tesouras.

Com dois anos, porém, deixou de fazer incisões no corpo. “Ele me disse que, dali em diante, não usaria mais instrumentos.” Hoje, o farmacêutico usa apenas bastões feitos de madeira, sem pontas. O Diário acompanhou as cirurgias realizadas na noite da última quarta-feira. O cenário lembra o de um hospital.
São seis leitos cobertos com lençol branco, separados por biombos. Todos os cerca de 30 voluntários se vestem com jalecos brancos. São seis pacientes por vez, gente de cidades da região e também de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso. Quem manuseia os bastões são a mulher dele e um dos voluntários do centro.

Gotardo atende até casos de câncer e paralisia (Foto: Edvaldo Santos)

Embora não recebam a entidade, dizem sentir a presença do suposto médico nas mãos, no momento da cirurgia. Na maioria dos casos, Gotardo fica apenas na supervisão. Os pacientes se deitam no leito e relatam o problema. Com uma pequena lanterna, o “médico” ilumina a região do corpo onde se concentra a doença e faz movimentos sincronizados com o bastão e os dedos, como se, simbolicamente, varresse a doença do organismo.

Cada operação dura menos de um minuto. O paciente é encaminhado para outra sala, onde marca o retorno, caso Gotardo julgue necessário. Segundo o farmacêutico, o espírito assume suas ações durante cada ato cirúrgico. A expressão facial dele muda nesses momentos, mas não há mudança na voz nem no típico sotaque caipira. “No começo, ele falava alemão, todo enrolado.

Mas hoje já domina a nossa língua.” Na última quarta, foram 66 cirurgias - a média para esse dia é de 60 operações. Aos domingos, o movimento triplica, com cerca de 250 procedimentos. A doença mais comum é o câncer, seguida por casos de paralisia e problemas cardíacos. Gotardo estima curar 70% dos casos. “Depende do merecimento de cada um.”

Sem cobrança 

Diferente dos curandeiros de Votuporanga, Gotardo não cobra nada pela cirurgia. Só pede doações em alimentos, que, segundo ele, são repassados para famílias carentes de Nhandeara. Ele também orienta os pacientes a continuar com o tratamento médico convencional. “Nós temos de confiar na ciência, faz parte da doutrina espírita”, afirma.

Fé atrai pacientes de outros Estados 

As promessas de cura de João Gotardo atraem pacientes de vários Estados do Brasil e até do exterior. Sandra Helena Barros de Oliveira, 50 anos, e o marido Osvaldo Barbosa de Oliveira Filho, 59, viajaram dois dias desde Cuiabá em busca de cura - ela, para um problema crônico de refluxo; ele, para inflamação no tendão de aquiles.

A primeira cirurgia foi há seis meses. “Já está bem melhor agora. Viemos para o retorno”, diz Sandra. No fim da tarde de quarta, o empresário Fábio Marchi da Silva, 35 anos, de Monte Aprazível, chegou ao centro espírita com fortes cólicas decorrentes de pedras no rim - uma estava no canal da uretra.

“Começou no domingo último, mas hoje (quarta) está insuportável. Marquei cirurgia no hospital de Monte para hoje, mas decidi vir aqui. Sou espírita, tenho fé na cura.” Ele foi um dos primeiros a ser operado por Gotardo. No dia seguinte, quinta-feira, dizia estar bem melhor. “A dor diminuiu bastante. Vou fazer um raio X para comparar.”

Outro que passou por cirurgia no centro foi o funcionário público Valdeir Franco, 37 anos, de Macaubal. Com um desgaste ósseo na região do quadril, Franco andava com auxílio de muletas. Há três anos passou pela primeira operação.

“Agora ando normalmente, sem apoio.” A cada três meses ele retorna ao local, sem abandonar o tratamento convencional, no Hospital de Base, em Rio Preto. “Isso aqui foi a minha salvação.”

Mulher do algodão fatura R$ 42 mil por mês 

Edelarzil Munhoz Cardoso, 64 anos, a “mulher do algodão”, é curandeira profissional. A estrutura para receber os três mil peregrinos que a procuram todos os meses inclui garagem para ônibus, bar e banheiros na chácara que adquiriu em área nobre de Votuporanga, às margens da rodovia Euclides da Cunha (SP-320).

De cada um dos pacientes, seus assessores diretos, um filho e um primo, cobram R$ 14 - o pagamento é feito em um escritório onde há um pequeno cofre. O faturamento bruto mensal chega a R$ 42 mil. Edelarzil tem “convênio” com sete empresas de excursão, que a cada 15 dias trazem vários ônibus lotados da Capital e litoral paulista. As empresas garantem que a curandeira não fica com nenhum percentual dos seus lucros.
Edelarzil tornou-se conhecida nacionalmente por apregoar a retirada de encostos e a cura de doenças como câncer e até aids. Tudo, afirma, é materializado em sangue e objetos retirados por ela de montes de algodão sobre uma peneira. O “fenômeno do algodão” surgiu há 40 anos, quando ela morava em Parisi, cidade vizinha a Votuporanga.

Local onde os ‘pacientes’ depositam sacolas com objetos que simbolizam os males a serem extirpados (Foto: Allan de Abreu)

“Com 13 anos de idade visualizava os ‘trabalhos’ nas pessoas, e materializava tudo em objetos. Mas , aos 20, recebi mensagem de Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio de Pádua para usar o algodão nas materializações.” A fama veio rápida. No fim dos anos 80, um canal de TV holandês fez um documentário sobre os supostos dons sobrenaturais de Edelarzil.

Ela diz que, por intermédio do médico Lair Ribeiro, recebe pacientes dos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Suíça. Entre seus clientes “top”,elenca a atriz norte-americana Shirley MacLaine, a dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó e o ator Raul Cortez, morto em 2006. Mas não revela se ganha recompensa financeira dos famosos pelo seu trabalho.

Em 1997, Edelarzil trocou Parisi pela chácara de Votuporanga. Ela nega o uso de truques. No último dia 17, faz questão de mostrar à reportagem o tanque onde é posta a bacia com o algodão, no “altar” do templo que ela construiu na chácara. Não há fundo falso, apenas um cano sem ralo no fundo, de onde a curandeira garante não sair nenhum dos objetos. “Nem vestido com manga eu uso mais, porque diziam que eu tirava as coisas debaixo da roupa.”

Na quarta-feira, 17, uma das pacientes que procurou a curandeira foi a dona de casa Sônia Aparecida Bugineli, 52 anos, de Ipuã, região de Franca. O filho Natan sofre de depressão há 6 anos, e não consegue se curar. “Já fui a psiquiatra, neurologista, e nada adiantou. A dona Edelarzil é minha última esperança de vê-lo curado.” Mas não é necessário estar presente na chácara para se livrar das doenças e encostos. Basta, segundo a curandeira, levar o nome e a data de nascimento da pessoa, e pagar a respectiva taxa.

Sacola cheia

O Diário participou de uma das sessões promovidas por Edelarzil. Ao pagar a taxa, a pessoa recebe uma senha e um pacote de algodão compacto, que ela terá de desfiar “mentalizando” o seu problema. As próprias pessoas depositam o produto desfiado em duas peneiras grandes. Edelarzil pede para todos se retirarem da sala, e benze o local com uma folha de espada-de-são-jorge. Em seguida, todos entram na sala, e a curandeira entoa uma oração.

Edelarzil diz ter recebido orientação de N.S. do Rosário e Santo Antônio (Foto: José Carlos Moreira)

Com um pequeno algodão, ela faz o sinal da cruz na testa e no pulso de cada participante, e inicia o que muitos julgam um milagre: enquanto um assessor molha o algodão com água, ela chama cada um pelo número de senha e passa a retirar os objetos, que são envoltos em papel jornal e entregues ao paciente em uma sacola plástica. A da reportagem sai pesada.

O paciente se dirige então para uma varanda ao lado do galpão, onde pode abrir a sacola e entender o significado dos objetos por meio de uma legenda estampada em um cartaz e em folhetos entregues pelos assessores. Cada item representa o tipo de encosto que a pessoa tem.

A sacola da reportagem tinha ossos (“dificuldade em tudo o que realiza”), parafuso (“para não sair do lugar e ficar sem objetivos”), penas (“dificuldade e sofrimento no trabalho”), pimenta (“para a pessoa ficar agitada”), tridente (“para atrapalhar sua vida”) e velas coloridas (“para bloquear sua vida financeira”). Tudo é deixado em uma mesa para que, segundo Edelarzil, seus assessores queimem depois.

Fazendeiro cobra R$ 60 por ‘cura’ 

Por R$ 60, o fazendeiro João Mascaros, 84 anos, diz curar doenças como pedras no rim, dor de cabeça, reumatismo. Esse é o preço da “garrafada” que oferece em Santa Fé do Sul, uma mistura de dez plantas da Amazônia que, segundo ele, são colhidas pelos índios em Juína, norte do Mato Grosso, onde tem uma fazenda.

Há 35 anos, Mascaros teve a ideia de mesclar essas plantas em uma bebida - diz não se lembrar do nome das espécies. “Deu certo, e o pessoal da região começou a me procurar.” Até 2005, a “garrafada” era oferecida gratuitamente. “Comecei a ter prejuízo com os gastos em trazer as plantas. Aí comecei a cobrar um valor para cobrir as despesas. Não lucro nada com isso.”

Por mês, o fazendeiro diz vender 20 “garrafadas”. Um dos clientes é o funcionário público Kleber de Almeida Cassemiro, 25 anos, de Rio Preto. Ele, o pai e o irmão dizem ter se curado de pedras no rim. “Tomei três doses, uma por dia, e acabaram as dores.”

O farmacologista da Famerp João Vicente Paiva Neto diz que, por serem produzidas artesanalmente e sem aval científico, as “garrafadas” podem causar danos à saúde. “A pessoa pode ter alergia a algum dos produtos daquele composto”, afirma. “Por isso não é aconselhável pela medicina.”

É truque de mágica, diz padre Quevedo

“Isso non ecziste.” Com seu bordão mais conhecido, Óscar González Quevedo, ou padre Quevedo, ataca o trabalho de Edelarzil Munhoz Cardoso. Nos anos 90, ele esteve na chácara de Votuporanga, a convite do programa “Fantástico”, da TV Globo. Para Quevedo, especialista em parapsicologia, o que a curandeira diz ser milagre não passa de um truque de mágica.

“Com movimentos rápidos, imperceptíveis ao olho humano, ela traz objetos escondidos nas vestes ou mesmo no cano da pia.” O padre diz que Edelarzil “enche a cabeça” das pessoas com o argumento de que seus espíritos estão carregados de encostos e efeitos de magia negra. “As pessoas se acham enfeitiçadas, e ficam desesperadas em busca de cura.”

Padre Quevedo: ‘Isso non ecziste’ (Foto: Divulgação)

Quando esteve na chácara em Votuporanga, Quevedo diz que foi proibido de se aproximar do algodão de onde a curandeira retira sangue e objetos. Ele também afirma ter sido hostilizado pelos assessores de Edelarzil. “Tivemos de sair de lá escoltados pela polícia.”

Para o padre, a curandeira pratica estelionato, crime previsto no Código Penal Brasileiro. A pena varia de um a quatro anos de reclusão. “Ela engana as pessoas com seus truques. Eu a desafio a curar um soropositivo, ou a devolver a perna a um amputado.” Edelarzil rebate. “O padre não acredita em nada mesmo. Mas estou acostumada com esses ataques, isso não me atinge. Até de macumbeira já fui chamada.”
Espanhol de nascimento e naturalizado brasileiro, padre Quevedo é padre jesuíta (Companhia de Jesus). Dedica-se ao estudo, pesquisa e difusão da Parapsicologia. É fundador e diretor do Centro Latino Americano de Parapsicologia, em São Paulo, onde trabalha.

Fé auxilia no tratamento 

A fé e a espiritualidade podem auxiliar no tratamento e até na cura de doenças, segundo Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Os cortes feitos no plano espiritual nas cirurgias mediúnicas operam a psiquê do indivíduo, que se reflete no corpo. É o efeito placebo, já comprovado cientificamente”, diz.

De acordo com o especialista, a fé estimula o cérebro a modular a liberação de hormônios, o que potencializa as células de defesa do organismo e aumenta as chances de cura. “São medicações inertes, processos sem validação na medicina que induzem processos que são científicos, embora ainda não se conheçam a fundo todos os seus mecanismos”, afirma.

Nos últimos anos, a medicina tem buscado se aproximar dos curandeiros para compreender seus fenômenos. “Não podemos atirar pedras. Temos de ter profundo respeito, e procurar entender os mecanismos de ação desses fenômenos”, afirma Monezi. Prova disso, diz, é que há dez anos a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a espiritualidade como parte do ser humano.

A ressalva do especialista é com relação a processos invasivos, com cortes. “Nesses casos, devemos ter um olhar mais cuidadoso, porque expõem o tecido humano a risco de infecções.”

Monezi também lembra efeitos negativos na saúde causados pela espiritualidade, o chamado nocebo. “Quando alguém diz que fizeram um trabalho de magia negra contra você e cobra para anular esses efeitos, gera ansiedade e depressão, que pode evoluir para doenças oportunistas”, diz.

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