16 de janeiro de 2013

A Loira de Vermelho


Por Adalberto Barreto


Olá. Este é meu primeiro relato aqui no site e espero que gostem. Esse fato aconteceu comigo em julho de 2009. Eu era motorista de uma empresa de transporte a mais de 15 anos, em Planalto. Nessa época do ocorrido, o inverno é bem rígido aqui no Rio Grande do Sul, chegando a temperaturas abaixo de zero.
Era numa terça, tinha pegado o turno da noite, trajeto de São Gabriel a Santa Maria da meia-noite. Fazia bastante frio, um inverno típico dessa região de campos sulinos. Poucos passageiros, não me recordo precisamente, mas me parecia em torno de uns sete, entre eles dois jovens conhecidos dessas banda por ter um histórico "criminal".

Os primeiros quilômetros de viagem foram tranquilos. Recebemos ordem de recolher passageiros no meio do caminho, muitos moradores da zona rural que não possuem outra forma de transporte nessas redondezas, que costumam ser bastante desertas e apenas vilarejos e cidadezinhas nesse trajeto. Apesar dessas ordens, no período noturno muitos colegas de trabalho não se sentem tranquilos em parar no meio da estrada, principalmente com medo dos assaltos.

Depois de atravessarmos o primeiro vilarejo, recolho apenas um casal de velhinhos que já são conhecidos de outras viagens. Neste turno estava sem o cobrador, assim os dois idosos fizeram o pagamento a mim mesmo. Seguindo viagem, observo distante uma capelinha, daquelas construídas em homenagem aos que morrem em acidentes de trânsito. Achei estranho, pois estava com velas acessas, algo bem incomum por se tratar de um lugar inóspito numa noite fria. Não dei muita importância, segui fitando o longo trajeto, e depois de alguns minutos passados da capelinha, observo ao longe, próximo à placa de identificação da BR, uma jovem loira vestindo um suéter vermelho. Achei muito esquisito uma moça nessa idade estar sozinha a essa hora da noite no meio do nada, poderia ser uma isca para algum tipo de assalto-emboscada. Fui tirando o pé do acelerador e diminuindo a velocidade para dar tempo de calcular bem o que iria fazer. Não sabia como agir em uma situação dessas. Olhei rapidamente pelo espelho retrovisor e o corredor do ônibus e estava completamente escuro, provavelmente a maioria dos meus passageiros estavam dormindo. De qualquer forma tomei a decisão de parar. Fui me direcionando para o perímetro da pista, foi quando no mesmo instante, surge no meu retrovisor esquerdo um caminhão em alta velocidade. Levei um susto! Rapidamente faço a manobra para o acostamento e estaciono próximo à placa da BR.

Quando recuperei o fôlego e olhei para o vidro da porta do ônibus, a garota não estava mais lá. Pensei que poderia estar esperando próximo ao bagageiro com alguma mala então resolvi descer. Fui abrindo a porta automática e pisando degrau a degrau. O vento estava forte e gelado. Olhei para o lado em direção ao bagageiro e nada, olhei em volta e só via campo coberto com geada. Nessa hora comecei a ficar abismado, percorri rapidamente em torno do ônibus e nada. Fiz uma ultima chamada perguntando se tinha alguém. Nada. Voltei quase correndo pro ônibus para sair dali o mais rápido possível.

Juro, nunca senti um arrepio tão forte na minha vida. Dei uma pisada mais forte no pedal do acelerador, queria ficar o mais longe possível daquele lugar.  Em pensamento, comecei a fazer uma prece pedindo a Deus por proteção. A minha vontade naquela hora era que algum passageiro surgisse junto comigo na cabine para fazer companhia até passar o pavor. Liguei o rádio para ver se me distraia. Fiquei raciocinando o que talvez tenha visto. Talvez aquilo seja só coisa da minha mente por estar cansado de tanto dirigir. Talvez só seja a minha mente pregando uma peça. Comecei a voltar a relaxar quando começo a sentir um cheiro de perfume de rosas, aquilo estava completamente fora de questão, pois os vidros estavam completamente fechados e estava numa cabine!

Olhei pelo retrovisor para o corredor escuro e vejo uma movimentação de algo tentando se erguer da poltrona, aquilo começou a prender minha atenção, que de segundo em segundo olhava pelo retrovisor. Porém, não conseguia enxergar uma silhueta definida. Quando observo que realmente um vulto se levanta e caminha em direção ao final do corredor,  para o banheiro. Senti um frio percorrer minha espinha e o coração parece que ia me saltar pela boca, um grande mal estar. Fiquei cismado, mas tinha que continuar olhando, quando vejo o vulto abrir a porta do banheiro e entrar. Ai acabou. Liguei o botão para acender as luzes dentro do ônibus. Neste momento não estava nem aí se iria acordar ou não os passageiros. Vejo que aos poucos eles começam a acordar com caras de nada felizes por estar com aquela claridade nos olhos.  Me sentindo tomado pelo medo, volta e meia ,olhava para o espelho atônito. Porém não surgia ninguém!!!  Foi quando vi a senhorinha que havia embarcado no meio da estrada entrando do banheiro. Agora não tinha mais dúvidas do que estava acontecendo. Um passageiro bate no vidro da cabine e com gestos e expressões aponta para a luz com uma cara de resmungo.  Entendi que ele desejava que eu as apagasse para que ele voltasse a dormir. Como não tive escolha e já tinha matado minha curiosidade, apaguei as luzes e voltei a me concentrar na estrada.

Meu Deus do céu, parecia que minha pressão tinha caído, estava me sentindo gelado. Sentia uma aflição que me levava a toda hora voltar a espiar pelo retrovisor para ver se enxergava o vulto. Mas resolvi me concentrar na estrada e não voltar a olhar mais ao retrovisor. Parecia a viagem mais longa da minha vida, o tempo não passava nunca. Quando finalmente cheguei na estação rodoviária de Santa Maria, e os passageiros desceram sem desconfiar e fazer perguntas pelo meu estranho comportamento. Acho que eles não viram nada.

Depois de 2 meses do ocorrido, quando fazia o mesmo trajeto só que na companhia de um cobrador pelo turno da manhã, mencionei a ele o que me havia ocorrido neste mesmo trajeto apontando para a capelinha. Ele primeiro me olhou com uma cara séria, depois começou a rir (obviamente que não acreditou), mas um agricultor que estava observando nossa conversa, depois se aproximou de mim e disse que havia acontecido um acidente grave naquele mesmo local, onde uma garota loira que dirigia um Vectra saiu da pista, bateu  contra uma árvore e veio a falecer no local, por isso da capelinha.

Faz aproximadamente um ano que deixei de ser motorista rodoviário, foram ao total  17 longos anos de estrada e muitas boas recordações, mas essa viagem, a mais tensa de todas elas.

Fonte: Sobrenatural.Org


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